quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Manifestações Folclóricas

Boi Calemba: É a versão potiguar do bumba meu boi, composto por “enfeitados” e “mascarados”, dividos em Mestre, Galantes e Damas. Executando cantigas antigas, eles fazem a coreografia ao som da rabeca. O figurino é enfeitado com fitas coloridas e espelhos, proporcionando um interessante efeito visual. Os mascarados representam a parte cômica da dança. O trio formado por Birico, Mateus e a Catirina se apresentam usando roupas vermelhas, rostos pintados e se utilizam dos gestos e paródias dos galantes. Outras figuras integram a apresentação como a Burrinha, o Bode, o Gigante (cavalo marinho), o Jaraguá e o Boi. Os instrumentos utilizados são a rabeca, o pandeiro e alguns instrumentos de corda, podendo ser substituídos pela sanfona.


Congos: Tem sua origem em temas africanos e representam uma “Embaixada da Rainha Ginga”, soberana africana ao Rei Cariongo, seu irmão, cujo objetivo principal é o trânsito das tropas da rainha pelas terras do rei, resultando na morte do príncipe, filho dele. Os cantos são diversos e a indumentária varia de acordo com a criatividade. A dança é acompanhada pela rabeca, violão, pandeiro, triângulo e agogô, tornando o folguedo uma grande festa.


Pastoril: Formado por dois cordões (azul e vermelho). É caracterizado pelo canto de jornadas de saudação ao público, louvação ao Messias e exaltam o próprio pastoril. A concepção cênica é sempre formada pelo espírito de competição entre os dois grupos (cordões). À frente estão a “Mestra’ do vermelho e a “Contramestra” do azul, seguidas das pastoras. A mediadora da rivalidade é a “Diana”, vestida nas duas cores.


Bambelô: Dançam ao som do tambor, batendo ritmicamente. O solista, no centro da roda de dançarinos, executa uma série de passos. Ao terminar aproxima-se de um dos participantes, convidando-o para dançar através de um gesto denominado umbigada. A ação é repetida até que todos participem da brincadeira. Os versos cantados são simples, sempre com um refrão que todos respondam.

Dona Militana – A Romanceira do Brasil


Ela nasceu Militana Salustino do Nascimento, mas hoje é conhecida como Dona Militana, a maior romanceira do Brasil. Militana nasceu no sítio Oiteiros, na comunidade de Santo Antônio dos Barreiros, em 19 de março de 1925. O dom do canto ela herdou do pai, Atanásio Salustino do Nascimento, uma figura folclórica de São Gonçalo. Dona Militana gravou na memória os cantos executados pelo pai. São romances originários de uma cultura medieval e ibérica, que narram os feitos de bravos guerreiros e contam histórias de reis, princesas, duques e duquesas. Além de romances, Militana canta modinhas, coco, xácaras, moirão, toadas de boi, aboios e fandangos.


RECONHECIMENTO – ao descobrir a preciosidade dos cantos de Dona Militana, na década de 90, o folclorista Deífilo Gurgel deu uma grande contribuição à cultura brasileira e permitiu que o país inteiro conhecesse o talento da filha da cidade de São Gonçalo do Amarante. A romanceira chegou a gravar um CD triplo intitulado “Cantares”, lançado em São Paulo e Rio de Janeiro. Críticos e jornalistas de grandes jornais brasileiros se renderam aos encantos e a peculiaridade da voz de Dona Militana. Em setembro de 2005 aconteceu o momento mágico quando ela recebeu das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Comenda Máxima da Cultura Popular, em Brasília. Mas o reconhecimento financeiro para esta festejada romanceira só veio em 2009 com o Projeto de Lei Complementar encaminhado pelo prefeito de São Gonçalo, Jaime Calado, e aprovado pela Câmara Municipal do município que concedeu uma pensão vitalícia.


“Lá nos Barreiros onde eu nasci,Em São Gonçalo onde eu me criei,Eu vou voltar pra meu sítio Oiteiro,Adeus Rio de Janeiro, adeus.”


(versos cantados por Dona Militana numa apresentação no Teatro João Caetano, Rio de Janeiro, durante participação especial no espetáculo "Lunário Perpétuo", ao lado do brincante pernambucano Antônio Nóbrega).