Anilce Marques
Cantora
Nasceu no dia 28 de janeiro de 1942, em São Gonçalo do Amarante / RN.
Filha de Almiro Marques do Nascimento e Cleonice Mangabeira Marques, aos 7 anos já residia em Natal, na Rua Mario Negócio, no Bairro das Quintas. Filha mais velha do casal, ajudou sua mãe a criar seus 6 irmãos. Sua tendência para música vem desde cedo, aos 4 anos já cantava os sucessos do momento. Seu pai era guarda de trânsito e sua mãe enfermeira do Hospital Evandro Chagas, que naquele tempo funcionava na Avenida dois,esquina com a Av. 9 no Alecrim.
Cursou o primário no Grupo Escolar João Tibúrcio. Nesse tempo já estava morando no Alecrim, na Rua São Vicente, entre as avenidas sete e oito, e depois mudou para a Presidente Sarmento, onde viveu toda a sua infância até a adolescência. Foi nesse endereço que começou a despertar para o mundo artístico.
Aos 17 anos, cursando o científico, já no Instituto Sagrada Família, onde terminou o curso Ginasial, vinda do Ateneu; tinha todo o seu tempo ocupado com as obrigações de casa (lavar, cozinhar, cuidar dos meninos) estudar para o Curso de Enfermagem de Saúde Pública e também ainda tinha tempo de cantar nos programas das Rádios de Natal. Com o término do curso de enfermagem, foi contratada pelo então secretário de saúde do Estado a Dr. Abelardo Calafange para trabalhar no Centro de Saúde do Alecrim, com o Dr. Jair Navarro, no setor de Odontologia e depois no setor tisiológico com o Dr. Milton Galvão. Veio então, inscrição para um Curso de Especialização de Tuberculose, promovido pelo Departamento Nacional Contra a Tuberculose, e ela foi escolhida para fazer o curso. E neste curso, ministrado pelas enfermeiras Elza Vieira, do Rio de Janeiro, e Maria Ester, de Portugal, foi aprovada e nomeada para exercer a função no Dispensário de Tuberculose, onde trabalhou com o Dr. Raul Jose Fernandes de Oliveira Barros. Muitas foram as pessoas curadas no Estado, por aquele excepcional trabalho do Serviço Nacional de Tuberculose. Ainda na área de saúde, fez um curso de enfermagem Psiquiátrica, no Hospital São Camilo de Lélis, em Mossoró. Todas as suas irmãs e sua mãe são enfermeiras, porém ela, apesar de tantos cursos, sempre teve o pensamento voltado para a arte e cultura.
O Rádio era uma de suas paixões; ouvia todos os programas e escrevia pedindo músicas. Foi quando estudava no Ateneu, que as portas da música se abriram; todas as quartas feiras, pulava o muro do colégio após a segunda aula, indo para a Rádio Poty, e ensaiava com o Regional de Iêdo Wanderley para cantar no programa de calouros de Rui Ricardo, que era apresentado aos sábados, Sabatina da Alegria.
Quando participou do primeiro programa, cantou o sucesso do momento: “Donde estará mi vida” do cantor Joselito. Fez uma boa apresentação e até a Orquestra de Waldemar Ernesto começou a acompanhá-la. Empolgada, após a Orquestra solar a primeira parte da música, ao invés de entrar na segunda parte, ela recomecou a música. Foi o suficiente para o sonoplasta no controle da Radio lhe aplicar um sonoro gongo. Voltou para casa a pé, da Radio Potí até a Avenida Quatro, e para completar, levou uma tremenda surra do seu pai, que não queria nem ouvir falar em Rádio, e aos sábados era o dia de folga dele na Inspetoria de Policia, e trabalhava como barbeiro em casa, com o rádio ligado, exatamente na Potí, ouvindo o programa de Rui Ricardo.
Porém, nem a surra nem o sermão que ele fazia, a amedrontaram; na outra quarta feira, lá estava ela pulando o muro do Ateneu e ensaiando na Radio para cantar no sábado. E assim, se sucederam sete semanas. Foram sete primeiros lugares e sete surras que levou quando chegava em casa. No oitavo programa, cantou a música “Graças a Deus” gravação de Doris Monteiro, e foi classificada novamente em primeiro lugar. No final da seqüência de calouros, Rui Ricardo anunciou a sua vitória, e que receberia o premio no final do programa na sala dos artistas. Ela foi receber o prêmio na mesma sala em quem estavam Luiza de Paula, Sonia Santos, Dalvina Lopes, Clóvis Alves e tantos outros artistas que integravam o cast do programa.
Assinou contrato e passou a formar com eles o elenco de artistas do programa Sabatina da Alegria. Chegando em casa já como artista, mostrou o contrato aos pais e disse: ”Agora eu já sou artista da Rádio Potí” . Não apanhou, mas ficou um ambiente pesado em sua casa, porque todas as vezes que saía de casa para cantar nos shows, ainda gerava conflito com seu pai, já que não parava em casa, tanto por causa dos ensaios, como também as apresentações; Ela já partcipava no "Domingo Alegre" de Genar Wanderley, "Festival da Lagoa" de Paulo Ferreira, "Expresso da Alegria" de Vanildo Nunes, shows em Ginásios de Esportes, cinemas, circos, escolas, além de outras cidades, acompanhando principalmente o locutor Jose Antonio.
Em 1960, cantou para o então Presidente da República Sr. João Goulart, quando ele esteve no Rio Grande do Norte, inaugurando a energia de Paulo Afonso, no Governo de Aluízio Alves. O evento foi aconteceu na cidade de Santa Cruz e a festa com o Conjunto Preto e Branco do ABC comandado por Chico Elion e a festa realizada no Trairí Clube daquela cidade.
No bairro da Conceição havia um sistema de som denominado de Amplificadora Cruzeiro do Sul de seu Antonio Manso Maciel, dirigido por Raimundo Moreno, grande seresteiro naquela época, e que realizava programas de auditório, nos quais ela sempre cantava. E foi nessa amplificadora, que ela deu seus primeiros passos para a nova profissão que encarava: a de locutora de rádio.
Um dia, saiu de casa, e foi até o Grande Hotel, ao escritório de Teodorico Bezerra, proprietário da Rádio Trairí. Falou com ele, que a encaminhou ao seu filho Dr. Kleber que dirigia a Rádio, e em menos de uma semana já estava trabalhando lá. Fiquei apenas um mês porque Zé Lagoa, que era diretor da Rádio Rural a ouviu, e a contratou para trabalhar naquela Emissora. Lá apresentou os programas “Mensagem Sonora" e "O mundo é da Mulher”. Nesse tempo, a Rádio Potí abriu inscrição para teste para locutores, ela se inscreveu. Fez o teste e foi aprovada; e com ela os locutores Glória Maria, Tadeu Nascimento e Paulo Tarcisio. Imediatamente deixou a Rádio Rural, ingressando na Potí. E nessa Emissora trabalhou com grandes nomes do Rádio como Almeida Filho, Ademir Ribeiro, Lienio Trigueiro, Jose Lira, Jose Ari e outros, dirigidos pela competência de Silvino Sinedino, assessorado por Carlos Jorge. Lá apresentou muitos programas de estúdio e auditório, como "Vesperal de Atrações" que apresentou junto com Luiz Cordeiro, que depois voltou para Minas Gerais e ela assumiu, produzindo e apresentando sozinha. Seu programa contava com o maestro James de Morais, João de Orestes e Banda Apache, Cícero Bezerra, Iêdo Wanderley e tantos outros músicos potiguares.
Quando trabalhava na Poti, foi convidada por Sandoval Wanderley para representar uma peça de teatro, e apesar de nunca haver nem assistido uma, resolveu enfrentar o desafio. E ingressou no TAN (Teatro Amador de Natal) dirigido por ele, ensaiando a peça "Taberna Azul" de sua autoria, se apresentavam em diversas cidades do Rio Grande do Norte. Quando ensaiava “Odorico Bem Amado”, foi convidada por Jesiel Figueiredo para fazer parte do TAU (Teatro de Artistas Unidos), que era o grupo de maior destaque na área teatral do Estado. Foi trabalhar com Jesiel, enfrentando logo de cara, o papel de Marly, uma prostituta, na peça “O Pagador de Promessas"; além de Anilce e Jesiel, atuavam o Jornalista Sebastião Carvalho, Auta Chacon, Jairo Maciel e Jair Figueiredo. O tempo em que fez parte da Poti, também fez parte do TAU. Com Jesiel ainda fez os seguintes trabalhos: "Édipo - Rei", "Beijo no Asfalto", "Bonitinha mais Ordinária", "O Nó de Quatro Pernas", e peças infantis como “Branca de Neve e o Gigante", "Chapeuzinho Vermelho" e "O Gato de Botas”.
No final da década de 60, quis traçar novos rumos para sua vida. Viajou para o Rio de Janeiro na companhia de um colega cantor, que tinha parte de sua família lá no Rio. Lá chegando, começou cada qual a procurar um espaço para apresentações. E foi numa dessas buscas que conseguiu se inscrever no programa “Um Instante Maestro” que era apresentado por Flávio Cavalcanti, as quintas-feiras na TV Tupi. Ensaiou a música "Camisa Listrada".
Quando voltou para casa viu que tinha sido roubada, todas as suas economias; foi quando resolveu procurar a Marinha, já que tinha um irmão Sargento. No dia, bem cedo, foi a casa do Marinheiro na Praça Mauá; procurou falar com o comandante e só foi atendida ás 19 horas, depois de um dia inteiro de espera, sem comer nada, não tinha dinheiro e sentiu vergonha de pedir algo a alguém e ser mal interpretada. O Comandante Radmaker (aquele que mais tarde sería vice-presidente da República) foi quem a atendeu, encaminhando-a para a residência do Tenente Paiva, onde passou a noite. No outro dia ao chegar na Casa do Marinheiro, já havia uma senhora a esperando, por nome de Maria de Lourdes Oliveira, casada com Joseph Oglayri, Comandante de um navio da Marinha Mercante. Esta senhora foi a sua luz no Rio de Janeiro.
Continou então a sua procura para cantar, e como havia faltado ao programa da TV Tupi, ficou envergonhada de voltar e procurou a TV Globo. Depois de sofrer umas quatro semanas, nas filas imensas todas as quartas-feiras para se inscrever, conseguiu se apresentar no domingo, 9 de novembro de 1969.
Depois de sua apresentação na Buzina do Chacrinha, sua vida mudou completamente, cantou num domingo, e na segunda-feira pela manhã, já tinha um empresário na casa onde ela estava, para contratá-la para cantar numa companhia que produzia uma revista musical e se apresentava por diversos Estados do Sul do país. Lourdes Oliveira fechou o contrato como se fosse uma empresária, e tomou conta dela como se fosse sua filha. Passou a ensaiar os passos de balé para a revista no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro.
Partiu para os shows em Curitiba, com seu nome estampado nos cartazes junto ao nome da companhia e de grandes artístas como Agnaldo Timoteo, Miltinho, Jece Valadão, Trio Los Panchos, entre outros, que se apresentavam na Boate Maxin’s, na Rua 7 de setembro, no Centro daquela Capital. Depois partiram para Santa Catarina, onde fizeram apresentações nas Boates Jacy, Golden Star e Mini Boate Oásis. Foram para o Rio Grande do Sul, e de lá da cidade de Vacarias na Casa de Shows Carlinhos, voltaram para Lajes em Santa Catarina, pois havíamos sidos contratados novamente, atendendo ao público daquela cidade. Como iam ficar 2 meses pelo contrato, aproveitou para escrever para a sua mãe, e quando obteve resposta, entrou em choque com as notícias da sua minha família; diziam que a sua mãe iria fazer uma operação muito arriscada. Ficou preocupada e a sua primeira atitude foi voltar a Natal. Passou 4 dias viajando, de Santa Catarina para o Rio e do Rio para Natal, de ônibus. Quando chegou na casa de seus pais, encontrou sua mãe muito debilitada. Com um tempo pensou em voltar para o Rio, mas pelo momento resolveu ficar e acompanhar o restabelecimento da mãe. Foi a Rádio Nordeste e falou com Rubens Mariz, que no mesmo dia a colocou como locutora da emissora. Ficou dois anos apresentando o programa “Show das Nove e Sete” pela manhã e “Juventude Brasa” no horário da tarde. Passou dois anos na Rádio Nordeste, e depois foi morar em Mossoró, onde trabalhou na Rádio Difusora. Voltou para Natal e tornou a trabalhar na Rádio Nordeste, quando foi convidada por Carlos Alberto, então diretor artístico da Rádio Cabugi, para integrar o elenco do programa "Patrulha da Cidade" juntamente com Wellington Carvalho, Tom Borges, Coronel Bolachinha, e Marcos Jacaré. Trabalhou 11 anos na Cabugi, também como programadora musical e repórter de rua, em reportagens carnavalescas, juninas, esportivas, etc. Desenvolvia ao mesmo tempo a função de Secretária do Sindicato dos Radialistas e Divulgadora para o Rio Grande do Norte da gravadora RGE.
Em 1985, mudou-se novamente para Mossoró, agora com o marido, e foi novamente para a Rádio Difusora, apresentar o programa "Cidade Aflita", com Jose Antonio, Paulo Wagner, Edmilson Lucena, Orlando Peres; e participando também no programa "Show da manhã", com Sílvio Filho.
Ainda morou em Fortaleza, onde através do cantor André Leone, começou a trabalhar na Gravadora Esfinge, sendo diretora de divulgação para o Norte e Nordeste, com escritório no Edifício C.Rolim, no Centro de Fortaleza. Depois de dois anos, foi anunciada a falência da Gravadora e ela voltou para Mossoró. Lá, unindo-se a João de Orestes; amigo de muito tempo, construíram e inauguraram um Clube denominado "VIDA VIDA", onde realizaram muitas festas com o grupo Versátil João de Orestes e shows com Beto Barbosa, Nelson Gonçalves, Eliana, Sandro Becker, Renato e Seus Blue Caps, entre outros artistas.
Voltou para o Rádio por intermédio de Luiz Pinto, candidato a vice prefeito de Mossoró, passou alguns meses trabalhando na Rádio Libertadora de Mossoró, mudando-se depois para a cidade de Baraúna, onde passou 11 anos trabalhando na politica daquela cidade, fazendo três campanhas para prefeito e sendo vitoriosa em todas as três. Devido o seu trabalho nas campanhas, em cima de carros de som, trios elétricos e animação em shows, comícios, e comunicação com o povão, após as campanhas ela foi nomeada Assessora de Imprensa do Prefeito. E como assessora, tinha os caminhos abertos para realizações de eventos, principalmente culturais na cidade. Realizou o concurso Miss Baraúna, Rainha do Carnaval, coordenou junto a secretaria de Educação muitas paradas de Sete de Setembro, fundou o grupo de teatro TAB (Teatro Amador de Baraúna) que por dois anos consecutivos, realizou a Paixão de Cristo, na principal praça da cidade, e em todas as datas comemorativas representava peças educativas.
Criou o Grupo Chiquititas, com apoio dos pais das crianças, que compravam todo o figurino de acordo com a novela do SBT. Esse grupo de Baraúna marcou na história cultural da cidade, com apresentações em outras cidades do Estado, e também no Ceará. Coordenou a Banda de Música de Baraúna, que fez várias apresentações em Natal, tanto convidada pelo Governo do Estado como também pela Fundação Jose Augusto, além de outras cidades, principalmente em festa de padroeiros.
Quando completou 60 anos, aposentou-se e hoje mora em Natal, onde estar prestando seus serviços a Fundação Cícera Queiroz, coordenando o Projeto Mulher Potiguar.
Fonte:
www.minhahistoria.com.br/3
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
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